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Paraguay Love Story III

Foto do escritor: PéterPéter


Muita gente nos havia falado do encantado Salto Suizo. Até agora o mais encantado que encontramos não era Suiço, senão Alemão, ou descendente. Os espectaculares queijos produzidos pelos menonitas! Há meses que nada tão parecido a um queijo de verdade não derretia na nossa boca. Por várias vezes, compramos Gruyere e Mussarela e os devoramos numa só refeição! Fosse em cima de batatas assadas na fogueira ou às fatias tipo tapas! Hmmmmm… só de lembrar.


Voltando à cascata que íamos visitar: a historia repetiu-se um pouco novamente. Com um caminho super complicado pela frente, chegamos apenas ao anoitecer. Para não variar, descobrimos que optáramos pelo caminho errado. Um vizinho nos explicou que este caminho não iria até ao Salto, mas ia sim um outro do outro lado do vale. Já cansados como estávamos, essa nova etapa teria que ficar para o dia seguinte. Ainda tentamos insinuar ao senhor que nos deixasse ficar na sua propriedade a dormir, mas o homem ou não percebeu mesmo ou se fez de despercebido. Não há problema. Vagueamos mais um pouco. Tudo tem cerca e arame farpado. Avistámos uma família reunida à porta de sua casa. Entramos e pedimos autorização para dormir no campo - de bosta - junto à habitação. Receberam-nos de bom grado. Ajudaram a estacionar e desejaram-nos uma boa noite. Despachamos um jantar qualquer e atiramo-nos para a cama.



Despertamos com a luz do dia. Estava todo amassado. A carrinha ficara inclinada na horizontal e dormi com a Catarina e a Levi a empurrarem-me contra o armário. Agora percebo porque a Jeanne faz questão de confirmar a inclinação da cama cada vez que estacionam para dormir. Se for acima de 1 grau de inclinação, ela rejeita-se a dormir nesse local. A nossa nova amiga é um baú de picuinhices deliciosas como esta. Só vendo! Depois de mais um pequeno-almoço que transformou-se em quase-brunch lá fomos fazer o que tínhamos a fazer. Logo na chegada começaram as dores de cabeça com as privatizações. O Salto Suizo também era privatizado. Isso já não nos surpreendia. O que nos surpreendeu foi o vizinho do lado, por onde tínhamos que atravessar para chegar à cascata. Para tirar proveito da sua situação estratégica, decidiu inventar que o estacionamento na sua propriedade era obrigatório e que - por acaso - pago também! O Alex e a Jeanne fizeram ouvidos moucos e seguiram em frente. Quanto a nós não tínhamos muitas hipóteses. O troço final da estrada tinha muito para lá de um grau de inclinação! A nossa casa bateria com a parte de baixo no chão seguramente e a capa metálica protectora da mecânica já tem amolgadelas que cheguem.


Para nosso espanto não havia ninguém no Salto para cobrar entrada. Até pensamos ser uma armadilha ou algo assim! Ainda bem, porque o Salto era uma valente bosta. Não sei se apanhamos a maré baixa ou a época seca, mas a descrição cinematográfica que nos fizeram deste pedaço de magia natural era uma desilusão, para não dizer um chuveiro mal fechado que pingava gotas para uma poça sem sal. Tiramos uma fotografia épica à Levi e fomos embora.






Fizemos a nossa base de acampamento num pequeno parque junto a um rio na cidade mais próxima. Pedimos autorização ao respectivo proprietário, também dono da pizzaria ao lado, uma vez que até um aparente jardim municipal é privado. Autorização concedida. Acabaríamos por comer ali uma Pizza mais dia menos dia. O simpático senhor também nos ofereceu internet e chuveiro. Claro que frio. Por esta altura do campeonato já deveríamos estar com um novo record de cerca de quase dois meses sem tomar banho de água quente. Simplesmente não é algo comum no Paraguai. Assim como as janelas não terem vidros, também não é algo comum. Assim como é frequente todos os motociclistas levarem capacete… no braço.

Ali mesmo passamos o fim de semana dando continuação à procrastinação. Esta foi interrompida por uma ideia colectiva: vamos fazer uma tatuagem igual! Entusiasmados com a ideia adolescente, arrancamos no dia a seguir em busca dum estúdio de tatuagem. Tanto procuramos, que achamos. Ao final do dia, entramos num estúdio que se não fosse a coragem de estarmos os quatros juntos, creio que nenhum de nós entraria noutra circunstância. Fomos recebidos pelo último dos moicanos metaleiros do Paraguay. As nossas expectativas europeias algo snobes foram defraudadas, o tatuador na verdade tinha uma qualidade dita regular. Bastante simpático contou-nos, juntamente com a sua namorada, a sua história de amor. Basicamente ela era uma menina duma cidade pequena, e ele o rapaz malvado da cidade maior que a afastava do caminho tradicional e acólito que os pais tinham desenhado para ela. Ajudaram-nos a escolher os nossos desenhos. A ideia era todos fazermos uma representação da Cruz del Sur, uma das mais importantes constelações do hemisfério sul. Com a sua ponta mais extremada, a cruz aponta sempre a direcção do Sul na escuridão da noite.



A Jeanne e o Alex desenharam pequenas estrelas que compunham as extremidades da constelação. A Catarina em vez do formato estrela, optou por pequenos círculos. E eu decidi traçar duas linhas rectas. Cada um escolheu uma zona do corpo. Entre dissipar dúvidas e incertezas de última hora, cada um acabou por gostar bastante da sua decisão final e da do parceiro também. Agradecemos imenso ao casal divertido e romântico e fomos procurar abrigo num spot ao qual já tínhamos deitado o olho no iOverlander. Pelo caminho passamos por uma bomba para os nossos amigos abastecerem. Super entusiasmado com os nossos dois veículos, o funcionário que os atendeu, perguntou-lhes de onde nós éramos, uma vez que não éramos franceses como eles. Quando os nossos amigos responderam Portugal, o homem disse “Ah, sim. Uma região do Brasil! É aqui mais perto!”. É isso mesmo, chefe.

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